A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) divulgou que o setor registrou faturamento de R$ 21.314 milhões em abril de 2026, uma queda de 14,9 % na comparação com o mesmo mês do último ano. A receita líquida interna somou R$ 13.918 milhões no mês, 26,6% a menos sobre abril de 2025, enquanto o consumo aparente totalizou R$ 27.765 milhões em abril de 2026, recuo de 20,6% quando comparado a abril do último ano. As exportações renderam US$ 1.471,55 milhão, um crescimento de 42,7% quando comparado a abril de 2025, enquanto as importações somaram US$ 2.640,07 milhões, um aumento de 1,8% sobre abril do último ano. Com isto, o setor fechou o mês com déficit de US$ 1.168,52 milhão, 25,1% superior ao registrado um ano antes. A Abimaq registrou 415,2 mil pessoas nos postos de trabalho em abril de 2026, um decréscimo de 0,2% na comparação com abril do ano passado.
No primeiro quadrimestre de 2026, o faturamento alcançou R$ 83.087milhões, um recuo de 12% sobre o mesmo período de 2025. Já a receita líquida interna e o consumo aparente somaram R$ 60.378 milhões e R$ 118.7 milhões até abril, o que correspondem a quedas de 16,2 e 13,7%, respectivamente.
As vendas externas alcançaram US$ 4.381 milhões, enquanto as importações ficaram em US$ 10.778 milhões, o que significam altas de 17,1% e 3,6% na comparação com os quatro meses iniciais de 2025. O setor fechou o primeiro quadrimestre com déficit de US$ 6.397 milhões, um decréscimo de 4%. Os postos de empregos, em média, somaram 417,3 mil no primeiro quadrimestre de 2026, um aumento de 2,1% sobre o mesmo período do ano passado.
Além da intensidade da queda nos investimentos em máquinas, o dado do mês de abril preocupa pela sua abrangência. O mês registrou recuo tanto na aquisição de máquinas nacionais (-26,6%) quanto importadas (-13,5%), o que indica um enfraquecimento mais disseminado do investimento produtivo e sugere que a atividade produtiva nacional entrou em uma etapa de demanda estruturalmente mais baixa. O principal vetor para queda da receita líquida continua sendo o mercado doméstico e nele a forte retração dos investimentos ligados à agricultura e à indústria de transformação. Esses segmentos concentram atividades mais dependentes de crédito e vem sendo duramente impactados pelo ambiente mais restritivo de crédito e por juros extremamente elevados. Ademais, a persistência da política monetária restritiva vem produzindo efeitos cumulativos sobre a atividade. O problema já não se resume ao encarecimento do capital de giro e investimentos produtivos: há deterioração da capacidade de investimento das empresas, aumento da cautela na tomada de decisão e priorização de liquidez em detrimento da expansão produtiva.
As exportações avançaram em grande parte por causa de uma base de comparação muito deprimida no início de 2025, especialmente nos Estados Unidos. Na comparação com o último quadrimestre de 2025, houve queda de 20,5%, com a média mensal exportada passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 1,1 bilhão no primeiro quadrimestre de 2026. Além disso, o crescimento de abril foi fortemente influenciado pela entrega de um grande projeto destinado a Singapura, envolvendo fabricantes ligados à infraestrutura e componentes industriais, ou seja, trata-se de um movimento concentrado. Outro aspecto importante é que a valorização do real — de cerca de 10,8% no período — continua reduzindo o impacto positivo das exportações sobre a receita em moeda local. Assim, mesmo com crescimento em dólares e em volume, o setor segue vendo sua receita em reais pressionada. Já as importações de máquinas e equipamentos iniciaram 2026 representando 49% do consumo nacional, participação cerca de 1,5 ponto percentual acima da observada em 2025 e 3,6 pontos percentuais acima de 2024. Os dados recentes indicam perda contínua de participação da produção local no mercado doméstico.
As importações mantiveram a tendência recente, com a China como principal país de origem, seguida por Estados Unidos e Alemanha. No acumulado de janeiro a abril de 2026, o crescimento de 3,6% das importações foi puxado pelo avanço das compras de produtos chineses, que aumentaram 13,7%. Em contrapartida, as importações originárias dos demais países recuaram 1,4%. Entre os produtos importados da China, destacaram-se as máquinas voltadas à logística e à construção civil, com alta de 46,2%, além dos equipamentos destinados à indústria de transformação e à agricultura, cujas importações cresceram 19,2% e 19,9%, respectivamente.
O nível de utilização da capacidade instalada caiu para 78,9% em abril, interrompendo a melhora observada em março. Ainda assim, permanece acima do registrado no mesmo período do ano anterior, o que sugere que o ajuste da produção ocorre de forma gradual. A carteira de pedidos ficou estável em 9 semanas, mas segue 4,1% abaixo do nível de abril de 2025. No acumulado do ano, a queda é de 4,8%, sinalizando que o enfraquecimento da demanda deve continuar pressionando as receitas ao longo dos próximos meses. Os dados de abril reforçam a percepção de que a melhora observada em março não representava uma inflexão do ciclo. O setor segue operando sob forte restrição doméstica, baixa confiança para novos investimentos e crescente pressão competitiva externa.
Há, hoje, três movimentos simultâneos em curso: Enfraquecimento persistente da demanda doméstica, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito; Exportações positivas, mas insuficientes compensar a retração interna e Continuidade da perda de participação da indústria nacional, mesmo em um ambiente de desaceleração econômica. Nesse cenário, a indústria de máquinas e equipamentos parece caminhar para um período de queda na atividade produtiva. Setores produtores de bens de capital para fins industriais, não seriados, seguem relativamente mais resilientes, enquanto fabricantes de bens de capitais de uso industrial, seriado, e de uso agrícolas continuam concentrando as maiores quedas.